593- Era a Javé que Nosso Senhor se Referia? (Orlando Fedeli)
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Através das Escrituras, percebemos que Nosso Senhor muitas vezes referiu-se à antiga Lei para justificar seus atos frente às palavras dos profetas.
Todavia, observa-se que Cristo igualmente lembrou aquele código para estabelecer parâmetros de comparação (e contraste) entre sua visão e a antiga.
Ele afirma que não veio para abolir a Lei antiga, mas para "aperfeiçoá-la". Também censuraveementemente a hipocrisia dos judeus quanto aos alimentos supostamente proibidos, porque o que corrompe o homem é o que nasce internamente, e não os objetos materiais do mundo sensível. No sublime Sermão da Montanha, o Salvador adquire postura extremamente "reformista", revelando um novo modo de convívio.
Além disso, parece-me que a concepção de Deus no antigo testamento é bastante diversa daquela apresentada por Jesus. Ao Javé vingativo e nacional dos judeus foi contraposto o Deus que perdoa e que é universal, expandindo a limitada (e exclusivista) visão de um povo eleito e étnicamente homogêneo.
Cumpre assinalar que no instante do último suspiro de Jesus na cruz, o véu do templo foi rompido, fato que obviamente representa a ruptura com o passado.
Amparados pela ótica da doutrina católica tradicional, até que ponto podemos sustentar esta divisão, sem cairmos em cisma?
Chega-se a questionar se o Deus cristão é o mesmo dos judeus do antigo testamento, haja vista ser inconcebível uma mutação de Deus, já que Ele é em si, é o motor imóvel, e é Dele o princípio criador de tudo.